Quando a amiga disse que a máxima do cara era "quando você quiser, do jeito que você quiser, a menos que eu não queira", ela não entendeu muito bem. A amiga chamou aquilo de "exercício".
- Passei a vida namorando. Nunca consegui ter um caso. Vou ter que exercitar o desprendimento. Só me diz uma coisa: ainda se fala "caso"?
E aquela história rolou algum tempo. Se não era a amiga que dava as cartas (como antes), pelo menos, ela parecia estar se saindo bem nos exercícios. Andava com tudo em dia, viajava, voltava, sumia, aparecia e o humor - que todo mundo tinha até medo de pensar como ficaria depois da separação - até que estava sob controle.
Só ficou preocupada quando a amiga colocou o tarot no meio da história.
- Saiu a carta da Lua. A dica é não fazer nada, não falar nada. Acho que não vai rolar.
A amiga explicou como pôde o conselho. Parece que a dica era não falar se não tivesse nada a dizer. A amiga jurou que tinha o que dizer, mas ela não conseguiu chegar a uma conclusão sobre as intenções da moça.
No dia seguinte, a amiga contou como resolveu o problema.
- Duas sessões seguidas de A verdade nua e crua.
- O filme é bom?
- Mais ou menos. Bom mesmo foi conseguir manter o celular desligado até o fim da noite. Desprendida sim, mas muda é um pouco demais.