Para uma ressaca clássica, faltava apenas a dor de cabeça. Ela passou o dia com um enjoo que não conseguia explicar, o corpo doía inteiro. Mais para o fim da tarde começou a sentir aquilo. Era um aperto no peito que só os piores porres de espumante, aqueles acompanhados de amnésia, provocavam. O problema, dessa vez, é que ela sabia muito bem o que tinha feito.
Saiu com o cara, fez muitas declarações. Esperou que ele se transformasse em príncipe encantado e ele fez questão de continuar brincando de sapo.
Ela já estava se sentindo uma perereca quando lembrou do dia em que viu uma no banheiro de casa. Mulherzinha, achou que a melhor opção era chamar o amigo para ajudar. Ele apareceu com uma vassoura. Das duas, uma: ou a bicha se enfiaria em um buraco de onde eles não conseguiriam resgatá-la ou terminaria ensanguentada no meio do quarto. Mandou o amigo recolher a vassoura.
Sem fazer muito barulho, cobriu a bicha com um pano de chão, enrolou e levou para fora de casa. Soltou a perereca novamente no mato e torceu para ela encontrar outro lugar para brincar.