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sábado, 25 de setembro de 2010

Can Can

Não se conformava com o sumiço do Can Can. Era o seu preferido. Gostava das noites em que sentavam em volta da mesa, crianças e adultos, com seus copos de coca-cola ou de cerveja. Todos entendiam as regras simples do jogo.

O Can Can funciona assim: cada um recebe sua mão de cartas e vai descartando de acordo com uma combinação de cores e números. O que anima o jogo são os coringas. Tem carta para pular o próximo, inverter o jogo e encher a mão do outro. Pelas regras, é cada um por si. Na prática, com os coringas, os participantes acabam escolhendo seus aliados.

Mas teve o dia em que ficou triste com o fim da partida. O casal de primos se protegia e protegia os filhos. Ficou sozinha. Ele ficou do outro lado. A família dele eram os primos.

* * *

Lembrou da história quando estava deitada na cama. Quase duas horas de uma madrugada de sábado. Ela deitou, mas não conseguiu apagar a luz. Tinha passado o dia perambulando pelos cômodos do apartamento. Faltava espaço, mas o embrulho no estômago não a deixava sair. Sabia que estava triste.

Iluminada pela luz branca viu que se repetia. Mais uma vez, não podia dividir a tristeza. Lembrou do livro que acabara de ler. A autora tenta se reconciliar com o casamento e ouve do futuro marido a promessa: "tanto faz o que eles dizem. Quando estivermos na nossa casa, teremos nossas próprias regras".

Não era a primeira vez que ficava sozinha com "as regras de nós dois". Lembrou do dia do Can Can. De repente, a cumplicidade sai da história sem aviso prévio. Difícil explicar a tristeza quando a partida acabou.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Mente perigosa

Ela tinha orgulho de dizer que escolhia a dedo os amigos do filho. Crianças de cinco anos que não se comportaram nunca mais foram convidadas pra passear. O mais velho também passava pela manipulação. Mudou a opção no vestibular convencido de que estava fazendo sua própria escolha. E ela: continuou insatisfeita. Afinal, o menino tinha escolhido o curso certo, mas na universidade errada.

Vez ou outra, ela se dava conta dessa tendência. Em geral, quando esperava que o filho reagisse a alguma coisa e ele simplesmente aceitava. Sabia a razão daquilo. Não quis escolher os amigos? Agora, cuide de encontrar espaço para que ele tenha suas próprias vontades. Tudo muito controlado, claro.

Não restaram muitos argumentos quando ela ouviu do amigo, na mesa do bar, que era controladora, que não suportava perder o controle sobre as coisas. Na verdade, sentia até um pouco de orgulho.

Surpresa mesmo ela ficou quando percebeu que a amiga não quis seguir suas orientações no dia que roubaram o carro. As coisas tinham saído do controle, ela sabia, mas já tinha passado por aquilo. Sabia o que fazer. Não adiantava ficar procurando o carro na rua. Tinham que ir na delegacia. Fazer o Boletim de Ocorrência. Só se deu conta que o carro era da amiga e que ela também sabia o que fazer quando a outra ligou para o seguro e pediu para acionarem o bloqueador via satélite.

O carro foi localizado no mesmo dia. Sem gasolina - nisso ela e a amiga eram parecidas -, foi abandonado pelo ladrão na rua de traz.

Passou meses pedindo desculpas para a amiga. Se insistisse bastante, talvez a convencesse de que tentou fazer o melhor.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Minicontos - Rascunhos

Barulhinho
A cada sms, imaginava que fosse ela. Naquele dia, era. Sim. Podia ligar. Ligou. Precisou ser solene. A nova vida já fazia barulho ao lado.



Eremita
A respostas que procurava, encontrou no tarot. A posição do Eremita dizia: não perturbe e escute o que ele tem a dizer. Tarde demais.



SMS
+ 88886666
Posso ligar.

+ 88888667
Sim.

(...)
+ 88888666
Não queria atrapalhar.

+ 88888667
Tudo bem.

Queria atrapalhar.

DISTÂNCIA

Não passava um dia sem imaginar como Laura estaria agora. Lembrava que era uma mulher bonita. Chegou a ser eleita a rainha do bloco de carnaval da vila. Já devia beirar os 70 anos. Tinham se visto pela última vez há mais de 20 anos.
Ela nunca havia entendido Marcelo, sua imaturidade. Via nele os homens que tantas vezes a abandonaram, que tantas vezes a decepcionaram. Reclamava de suas brincadeiras sem graça. Não suportava aquela dependência. Não conseguia viver naquele universo infantil.
A cada esquina que virava, Marcelo imaginava encontrá-la. Naquela idade, todas as mulheres eram loiras, tinha ouvido de muitas das mulheres que conhecera depois. Tentou amar muitas delas. Não conseguiu. Ainda imaginava Laura como uma mulher bonita, bem cuidada.
Mais de 20 anos depois, Laura ainda não entendia como tivera coragem de tomar aquela decisão. Por que Marcelo não fizera como todos os outros? Por que não veio atrás dela? Por que só ele nunca implorou por seu amor?
Ela viajava. Ele não. Ela ia ao cinema. Ele não. Marcelo se recusava a fazer qualquer coisa que o fizesse se sentir no universo que Laura tanto almejara e que fizera com que o abandonasse.
Apesar da decisão – ou por causa dela -, a vida tinha sido movimentada, Laura reconhecia. Viagens, festas, cinema, amigos. Então, por que sentia falta de Marcelo? Saudades? Culpa? Mágoa? O que quer que fosse era preciso continuar a viver. As festas já não eram tão divertidas. As viagens, cansativas. Mas ela precisava continuar.
A vida de Marcelo era preenchida por provas, concursos, conquistas, mulheres. Passou a viver em busca de testes. Perdeu a conta de quantas vezes se colocou naquela situação depois que ela o deixou. Em todos os momentos, o sentimento era o mesmo. Precisava provar. Precisava continuar.
Laura observava e sentia que a família reunida em casa não era a dela. A vida continuava, mas não era a dela. Os filhos não eram os dela, a casa não era a dela, nem mesmo o marido era mais o dela.
Marcelo se sentia paralisado. A casa não era a dele. A cozinha não tinha fogão. O banheiro não tinha chuveiro. Sentia falta mesmo dos gritos e das reclamações. Ali, agora, só o barulho da televisão ligada 24 horas por dia. Alguém precisava tomar conta de casa enquanto ele não estava.

***

Foi Marcelo quem fez o primeiro contato. A vida os havia separado. A burocracia não. Os vínculos legais nunca deixariam de existir. Havia pendências a resolver.
Aquele era o aceno que Laura havia esperado por tanto tempo. Queria conversar. Marcelo sempre foi um bom ouvinte. De alguma forma, pelo telefone, voltaram a viver juntos. 20 anos e nada mudara. Laura falava. Marcelo ouvia. Marcelo questionava. Laura não respondia.
Longe, naquela outra casa, Laura pressentia que lá fora havia mulheres em quem o menino confiava mais do que nela, que ele amava mais do que a ela. Sempre evitou pensar nisso.
Na rua, Marcelo conhecia outras mulheres, se relacionava com elas. Sentia prazer em impor a elas a dor e o desprezo que sua mãe Laura o fez sentir aos 18 anos. O tempo só reforçou suas certezas. Não encontrou nenhuma que o fizesse mudar de idéia. Passava dos 40. A mãe não sabia, mas ele tinha treinado para desvendar mulheres. Não conseguia acreditar nelas.

domingo, 27 de junho de 2010

Arrumação

Aquela era a quarta mudança em pouco mais de três anos e Maria continuava sem coragem para mexer em todas as caixas. Levava as coisas de um lugar para o outro, “entocava”, como dizia, dentro de armários, mas os fantasmas continuavam a circular pela casa.

Mais um fim de semana chegou e daquele não passaria. Resolveu começar pelo quarto dos fundos. Tirou uma, duas, três caixas do armário. Mal sentou no chão para remexer no passado e viu, na última prateleira da estante ao lado, a coleção de revistas de decoração.

Colocou todas as caixas de lado. Sabia bem o que tinha nelas. Fotos, cartas, cartões. Histórias muito parecidas. Uma mulher que prometia ser a mais legal, divertida, inteligente. Um homem com histórias para contar, coisas para ensinar.

A cronologia também era a mesma. O olhar atraía. A conversa conquistava. O sexo prendia. Os projetos prolongavam. A repetição afastava. O medo mantinha. O cansaço encerrava.

Tantas mudanças e as revistas continuavam ali. Começou a tirar algumas ao acaso: setembro de 2004, janeiro de 2001, novembro de 2009. Não havia nenhuma organização. Os anos embaralhados e as pautas eram muito parecidas. Folheou as revistas. A editora era a mesma, o que talvez explicasse alguma coisa.

Começou a ler o editorial de uma delas. A editora pegou Maria pelo pé:

“Encontrar o melhor espaço para viver, compartilhar alegrias, serenar a alma, trabalhar e se divertir também...Enfim, saber dimensionar o tamanho dessa casa não é tarefa das mais fáceis. Inclusive porque somos assaltados por toda a sorte de fantasia quando brincamos de casinha, tentando o desenho mágico de nosso refúgio.”

Maria abriu a primeira caixa. Logo por cima, a foto de um terreno com algumas estacas, o começo de construção. Em um canudo, várias plantas da futura casa, formatos de telhado, projetos de jardins.

Abriu a segunda. Um sapatinho de bebê guardado. Era o sapatinho do batizado. Um dia, quando os anos tivessem passado, seria a relíquia exposta com orgulho na sala bem decorada com toques vintage.

A terceira caixa estava mais vazia. Uma pedra, uma concha, um embrulho. Lembrou que era uma cachaça envelhecida em barril de carvalho. Comprada em uma viagem, deveria ter sido degustada no bar que começava a ser criado. Envelhecia naquele embrulho há anos.

Não havia como fugir. Pela primeira vez, Maria tinha que arrumar sozinha seu refúgio.

Lembrou do prato trazido na última viagem e que deveria ser colocado na parede. Havia também as novas fotos para os porta-retratos. Tinha arranjado um lugar para os DVDs. Assim, sobraria mais espaço na estante para os livros e para exibir, como merecia, o espelho que tinha sido da avó.

As caixas pareciam bem guardadas ali no quarto dos fundos. Separou o embrulho da cachaça envelhecida e o sapatinho do bebê. Fechou o resto e colocou de volta em cima do armário. Começaria a arrumação pela sala. A cachaça e a lima da pérsia que estava na geladeira garantiriam a energia para a empreitada. O sapatinho ficaria bem ao lado do espelho.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Na madrugada

Era só o que faltava. O dia quase amanhecendo, tinha rodado a noite toda e foi pegar aquela mulher logo na hora de ir pra casa. Ganhou de brinde aquele playboy da Zona Sul na cola. Foi só saírem da frente do bar chique, em frente a praia de Ipanema, que o mané começou. A cada sinal era um grito.

- Marcela, eu te amo.

O cara devia ser cliente da cooperativa (e dos bons). O outro motorista de praça podia até não estar gostando da brincadeira, mas entrou na palhaçada. Vinha emparelhado, tinha risco até de acidente.

- Marcela, casa comigo?

Viu quando a tal Marcela chegou. A moça nem entrou no bar. Pegou o telefone, ligou pra alguém. Ficou esperando o mané na porta. Não conversaram nem 15 minutos e ela fez sinal. Parecia bem. Pelo jeito, os dois não tinham brigado. Pelo retrovisor, dava pra ver que ela estava rindo.

- Você é linda.

"Vê lá?! Agora, mulher vai pra bar atrás de homem no meio da madrugada.Toda noite é isso", pensou.

Lembrou da mulher e da filha. Tinham ido no rodízio de pizza na noite de sexta. Convite do namorado da filha que não é lá grandes coisas, mas sempre que recebe o tíquete faz um agrado. Quando chegasse em casa, capaz das duas já estarem acordadas. Sábado de manhã é dia de lavar o quintal.

O colega emparelhou e o playboy gritou de novo.

- Vem comigo?!

Viraram a esquina. Graças a Deus.

A moça continuava rindo. Devia gostar de conversar. Puxou conversa.

- Esses playboys da Zona Sul não tem jeito. Vê lá se isso é jeito de tratar mulher.

Ela riu. Ele continuou.

- No meu tempo, a gente sabia como conquistar as mulheres. Não fazia essas coisas. Tinha que ser mais sério.

Ela respondeu:

- Pois é, moço. O senhor pode virar naquela esquina, por favor.

- Agora mulher também não podia ter muita frescura não. Uma vez teve uma que veio cheia de nhenhenhém pra cima de mim. Era filha de coronel. Bem de vida. Eu podia ter me dado bem.

- É mesmo? É no próximo prédio, aquele de grade marrom.

- Um dia eu cheguei na casa dela pra namorar, tinha trabalhado o dia inteiro. A primeira coisa que ela disse foi "Diga algo que deleite?". Não pensei duas vezes. Respondi: "Vaca". Virei as costas e fui embora.

- Tá aqui, 18 reais. Pode ficar com o troco.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Ele lançou o desafio. Mandou parar de fazer piadas que ninguém entende e começar a escrever a sério. Como sempre, foi elegante. Insinuou que Fernando Sabino cometia o mesmo erro. Sabia que ela não retrucaria.



Ela ouviu, ou melhor, leu o conselho. Curiosamente, não se sentia incapaz. Só não sabia por onde começar. No dia seguinte, tentou fugir. Fez que estava muito ocupada. Não estava. Quando finalmente encontrou uma resposta, achou que até poderia ser verdadeira.



- Pra conseguir isso, escrever tem que deixar de ser uma terapia e passar a ser, pelo menos, um hobby.



Ele insistiu. Sempre elegante. Ela desconversou. Acabou se enfiando no cinema. Sem coragem de encarar as próprias histórias, se entregou as dos outros.



Quando tentou escrever novamente, a intenção era falar do filme que tinha assistido. Já estava planejando criar um segundo blog com os textos ligados ao cinema. Uma forma de separar a terapia do hobby. O gancho era bom.



O filme "Um homem sério" e seu final sem nenhuma leveza tinham atropelado ela um pensamento. na memória justamente quando ela buscava algum consolo no enredo clássico das comédias românticas: quando a vida da mocinha parece não ter mais solução é porque o filme está acabando. Ou o príncipe encantado aparece para resgatá-la ou ela dá a volta por cima, arranja outro emprego e o príncipe encantado é obrigado a se render àquela mulher maravilhosa e, finalmente, bem resolvida.




Impossível. A frase do rabino -




, mas o resultado foi prático. Ela teve que encarar mais uma semana de ceticismo que só piorou quando a associação de idéias a levou de volta à entrevista de emprego na semana anterior.




- Afinal, o que você quer?




A pergunta surgiu depois do relato da saga dos últimos meses. Dessa vez, ou por sorte ou porque estava tomando jeito, ela se segurou. Encontrou uma resposta um pouco melhor do que a habitual. Não disse que queria beijar na boca e ser feliz.




Só quando se tocou que não tinha sequer lembrado da resposta que deu tantas vezes na vida - a do beijo - percebeu. Não que a achasse apropriada para uma pergunta profissional. Claro que não. Mas, em outros tempos, a associação seria automática. Riria sozinha, mas riria.




Foi dormir lembrando do rabino.






quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Solidão

Ligou pra um. Nada. Ligou pra outro. Nada. Tentou a terceira, a quarta e nada. Voltou aos primeiros da lista. (Talvez não tivessem ouvido a primeira chamada). NADA.


Sentiu falta do tempo em que conseguia passar a tarde na praia, de barraca em barraca, se revezando entre os amigos.


Pensou que talvez não tivesse sido uma boa amiga. Não mandava mensagens de Natal, não era de ligar, de frequentar a casa. Não convidava ninguém para ir a sua. Era longe da praia.


Sentiu falta do tempo em que havia programas em família.


Pensou que os gostos não combinavam. Um gosta de cerveja, outro de vinho. Um de praia, outro de mato. Um de ficar em casa, outro de sair. Um de cinema, outro de botequim. Todos mereciam ser felizes.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Foi apenas um sonho

- O mundo pode estar acabando. Ela pede para esperar um pouquinho porque antes vai ao cinema.

A irmã não cansava de dizer isso. Não entendia porque ela preferia sair do bar, com todo mundo ainda na pilha, pra se enfiar - muitas vezes sozinha - no cinema. Em outro bar, em outro canto da cidade, as pessoas pareciam entender essa preferência.

- Maravilhoso! Mas casal não pode ver. Sai do cinema em crise.

Para ela, além de bom, o filme em questão era um caso raro. O nome em português - Foi apenas um sonho - parecia melhor que o original em inglês: Revolutionary Road. Fizeram mais alguns comentários antes de encerrar o assunto. Para ela e para o outro único solteiro do grupo, a história do filme tinha se misturado às fases da separação. Ficou combinado que o remédio era amargo, mas necessário.

Dois dias depois, as cenas - do filme, da conversa e do fim de semana - se misturavam na cabeça dela.

* * *

Cena 1: O fim de semana

Ele falava naquele dia há meses. Era para o tal almoço ser a estréia dela com os amigos dele. Ela lembrou que andava evitando até festa de amigos mais íntimos, estava insegura, até meio deprimida, tinha medo de que alguma coisa naquele dia acabasse virando briga entre os dois. Estava bem com ele. Mesmo assim, iria.

- Então, não precisa ir. Melhor não ir.

Ela insistiu. A briga aconteceu.
Ele não voltou atrás. Foi sozinho.
Ela lembrou que ele nunca tinha levado nenhuma namorada no tal evento. Achava tudo muito importante.
Se sentiu desconvidada.

Tinha se empenhado tanto em ir na festa do outro que acabou sem uma boa desculpa para não ir ao aniversário do amigo dela, naquela mesma noite. Saiu de casa sozinha pra enfrentar as feras.

* * *

Cena 2: O filme

A mudança para Paris estava acertada. O projeto era dele. Sonhava com a cidade. Venderiam tudo, aprenderiam outra língua. Por amor ou apenas por lealdade, ela topou. Avisaram amigos e vizinhos. Trocariam a vida certinha no subúrbio londrino pela cidade desconhecida. Teriam uma vida de sonho.

Pena que ele mudou de ideia. Foi promovido, arranjou uma amante. Estava se divertindo.

Ela ficou com o sonho.

* * *

Cena 3: A conversa

- O filme é uma porrada.

Ele contou que o casamento terminou logo depois. Ela contou que tinha acabado de se separar.

Lembrou que tinha saído do cinema convencida de que é impossível sonhar junto. Não sabia se conseguiria mudar de idéia.

* * *

Entre as cenas, a confusão. A decisão dele. A lealdade dela. A diversão dele. A decisão dela.

Aqueles olhos azuis do amigo do amigo.

Teve certeza de que continuaria sonhando sozinha ou acompanhada. Era mais forte que ela.