Para uma ressaca clássica, faltava apenas a dor de cabeça. Ela passou o dia com um enjoo que não conseguia explicar, o corpo doía inteiro. Mais para o fim da tarde começou a sentir aquilo. Era um aperto no peito que só os piores porres de espumante, aqueles acompanhados de amnésia, provocavam. O problema, dessa vez, é que ela sabia muito bem o que tinha feito.
Saiu com o cara, fez muitas declarações. Esperou que ele se transformasse em príncipe encantado e ele fez questão de continuar brincando de sapo.
Ela já estava se sentindo uma perereca quando lembrou do dia em que viu uma no banheiro de casa. Mulherzinha, achou que a melhor opção era chamar o amigo para ajudar. Ele apareceu com uma vassoura. Das duas, uma: ou a bicha se enfiaria em um buraco de onde eles não conseguiriam resgatá-la ou terminaria ensanguentada no meio do quarto. Mandou o amigo recolher a vassoura.
Sem fazer muito barulho, cobriu a bicha com um pano de chão, enrolou e levou para fora de casa. Soltou a perereca novamente no mato e torceu para ela encontrar outro lugar para brincar.
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segunda-feira, 9 de novembro de 2009
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Exercício
Quando a amiga disse que a máxima do cara era "quando você quiser, do jeito que você quiser, a menos que eu não queira", ela não entendeu muito bem. A amiga chamou aquilo de "exercício".
- Passei a vida namorando. Nunca consegui ter um caso. Vou ter que exercitar o desprendimento. Só me diz uma coisa: ainda se fala "caso"?
E aquela história rolou algum tempo. Se não era a amiga que dava as cartas (como antes), pelo menos, ela parecia estar se saindo bem nos exercícios. Andava com tudo em dia, viajava, voltava, sumia, aparecia e o humor - que todo mundo tinha até medo de pensar como ficaria depois da separação - até que estava sob controle.
Só ficou preocupada quando a amiga colocou o tarot no meio da história.
- Saiu a carta da Lua. A dica é não fazer nada, não falar nada. Acho que não vai rolar.
A amiga explicou como pôde o conselho. Parece que a dica era não falar se não tivesse nada a dizer. A amiga jurou que tinha o que dizer, mas ela não conseguiu chegar a uma conclusão sobre as intenções da moça.
No dia seguinte, a amiga contou como resolveu o problema.
- Duas sessões seguidas de A verdade nua e crua.
- O filme é bom?
- Mais ou menos. Bom mesmo foi conseguir manter o celular desligado até o fim da noite. Desprendida sim, mas muda é um pouco demais.
- Passei a vida namorando. Nunca consegui ter um caso. Vou ter que exercitar o desprendimento. Só me diz uma coisa: ainda se fala "caso"?
E aquela história rolou algum tempo. Se não era a amiga que dava as cartas (como antes), pelo menos, ela parecia estar se saindo bem nos exercícios. Andava com tudo em dia, viajava, voltava, sumia, aparecia e o humor - que todo mundo tinha até medo de pensar como ficaria depois da separação - até que estava sob controle.
Só ficou preocupada quando a amiga colocou o tarot no meio da história.
- Saiu a carta da Lua. A dica é não fazer nada, não falar nada. Acho que não vai rolar.
A amiga explicou como pôde o conselho. Parece que a dica era não falar se não tivesse nada a dizer. A amiga jurou que tinha o que dizer, mas ela não conseguiu chegar a uma conclusão sobre as intenções da moça.
No dia seguinte, a amiga contou como resolveu o problema.
- Duas sessões seguidas de A verdade nua e crua.
- O filme é bom?
- Mais ou menos. Bom mesmo foi conseguir manter o celular desligado até o fim da noite. Desprendida sim, mas muda é um pouco demais.
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Concordância
- Ninguém está apaixonado como nós. O que vamos fazer?
Era o primeiro dia da Mostra e ela tinha jurado que naquele ano assistiria ao máximo de filmes. Deu uma olhada na programação e achou o filme interessante. Estava em Ipanema. A sessão seria em uma hora e meia em Copacabana. Exatamente uma hora e meia de engarrafamento depois entrou no cinema. Literalmente, às escuras.
A frase apareceu despretenciosa no meio do filme e ela deu um jeito de anotar mesmo no escuro. Só quando chegou em casa e foi ler o que havia escrito (não lembrava e jurava que encontraria garranchos ilegíveis) que percebeu. Tinha se sentido daquela forma tantas vezes na vida que começou a disfarçar. Tinha a impressão de que apaixonados (de qualquer tipo, por qualquer coisa) incomodavam, pareciam idiotas. Não gostava de se sentir assim.
Lembrou de ter sentido aquilo nas aulas de matemática, comprando sozinha a sonhada (e ainda não usada) banheira e em dias que a animação com o andamento do trabalho era tão grande que ela mal conseguia disfarçar e o colega soltava a piada:
- Você está feliz com a profissão que escolheu? (ela nunca soube como responder a pergunta)
Tentou lembrar se havia sentido aquilo acompanhada. Não lembrava de um sentimento recíproco como o da mocinha do filme. Aquela frase embutia uma cumplicidade que ela nunca teve coragem de sentir.
Sentiu vontade de se apaixonar. Achou que o verbo deveria estar no plural. Não sabia como fazer a concordância.
Era o primeiro dia da Mostra e ela tinha jurado que naquele ano assistiria ao máximo de filmes. Deu uma olhada na programação e achou o filme interessante. Estava em Ipanema. A sessão seria em uma hora e meia em Copacabana. Exatamente uma hora e meia de engarrafamento depois entrou no cinema. Literalmente, às escuras.
A frase apareceu despretenciosa no meio do filme e ela deu um jeito de anotar mesmo no escuro. Só quando chegou em casa e foi ler o que havia escrito (não lembrava e jurava que encontraria garranchos ilegíveis) que percebeu. Tinha se sentido daquela forma tantas vezes na vida que começou a disfarçar. Tinha a impressão de que apaixonados (de qualquer tipo, por qualquer coisa) incomodavam, pareciam idiotas. Não gostava de se sentir assim.
Lembrou de ter sentido aquilo nas aulas de matemática, comprando sozinha a sonhada (e ainda não usada) banheira e em dias que a animação com o andamento do trabalho era tão grande que ela mal conseguia disfarçar e o colega soltava a piada:
- Você está feliz com a profissão que escolheu? (ela nunca soube como responder a pergunta)
Tentou lembrar se havia sentido aquilo acompanhada. Não lembrava de um sentimento recíproco como o da mocinha do filme. Aquela frase embutia uma cumplicidade que ela nunca teve coragem de sentir.
Sentiu vontade de se apaixonar. Achou que o verbo deveria estar no plural. Não sabia como fazer a concordância.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Conflito de gerações
Ainda na madrugada ela mandou um SMS para a amiga. Entrou numas de disputar a atenção do italiano de 22 anos com a irmã mais nova de uma amiga e perdeu a parada. A análise começou por SMS mesmo:
"Precisava dividir isso com alguém. Não estou sabendo envelhecer. Vou criar o blog Naoestouvelha.com.br", escreveu.
A conclusão simples e óbvia, não encerrou o assunto, claro.
"Cria o blog e compra aqueles cremes da La Roche e da Vichy. Tô precisando de um pra mão e outro pro olho. Qto aos meninos, vc fica tentando conversar. Menino de 22 anos eh só pra sexo. ;-)".
"Você acha que depois de várias caipirinhas e sem falar italiano tentei conversar?"
"Tenho certeza. Eh mais forte que vc, COROA interessante. Hahahaha"
Uma semana depois, ainda se divertiam com o assunto. A rival pegou o italiano mas não deu. "Ela não quis ser mais uma", contou para a amiga. Mais conformada, a conselheira listou as vantagens de ser mais uma. As duas riram.
A análise só terminou quando ela relatou os posts do moço no Facebook. Nas fotos, o ragazzo aparecia entre as duas. Nas legendas, ela era a piú vechia e a outra, a piú nuova.
Era hora de adotar os tais cremes.
"Precisava dividir isso com alguém. Não estou sabendo envelhecer. Vou criar o blog Naoestouvelha.com.br", escreveu.
A conclusão simples e óbvia, não encerrou o assunto, claro.
"Cria o blog e compra aqueles cremes da La Roche e da Vichy. Tô precisando de um pra mão e outro pro olho. Qto aos meninos, vc fica tentando conversar. Menino de 22 anos eh só pra sexo. ;-)".
"Você acha que depois de várias caipirinhas e sem falar italiano tentei conversar?"
"Tenho certeza. Eh mais forte que vc, COROA interessante. Hahahaha"
Uma semana depois, ainda se divertiam com o assunto. A rival pegou o italiano mas não deu. "Ela não quis ser mais uma", contou para a amiga. Mais conformada, a conselheira listou as vantagens de ser mais uma. As duas riram.
A análise só terminou quando ela relatou os posts do moço no Facebook. Nas fotos, o ragazzo aparecia entre as duas. Nas legendas, ela era a piú vechia e a outra, a piú nuova.
Era hora de adotar os tais cremes.
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Um ano depois
- Quero casar e ter dois filhos.
Ela tinha avisado que qualquer homem que se aproximasse seria ameaçado com aquela frase. A irmã a aconselhou a não contar para todo mundo suas intenções sórdidas. Como não estava a fim de se enrolar com ninguém mesmo, manteve a decisão e acabou levando um susto.
- Eu também.
O cidadão tinha mostrado que gostava de chocar quando ainda estavam na pizzaria e foi obrigado a passar a ficha completa para as duas amigas. Ela não queria se meter nem com conhecidos de conhecidos e pouco se meteu na conversa, mas gostou do estilo. Como o carro estava no estacionamento, resolveu voltar de taxi para casa. Mais alguns chopes e todas as convicções tinham ido embora. Menos a de casar e ter dois filhos.
A conversa rolou em outro canto da cidade. Um cabo de guerra de provocações. Até o fim da noite, um dos dois cairia.
- Você vai me mandar à merda - ela disse, imaginando uma maneira segura de terminar aquela noite. Estava mais preparada para um fora do que para qualquer coisa além de beijo na boca.
Como não tinha prestado atenção na ficha, começou tudo de novo.
- Não lembro nem o seu nome. Quantos anos você tem? Mora aonde? Já foi casado?
Ele apenas repetiu o nome e reclamou que estava perdendo o desenho favorito. Ela disse que poderiam ir embora, mas, na saída, avisou que voltaria para pegar o carro. Ele foi atrás. Já tinham ido da Barra para Ipanema e de lá para a Lapa. Voltaram para Ipanema, onde pegaram o carro na garagem do edifício comercial.
O caminho até a Zona Norte foi mais longo naquela noite. Precisavam evitar a operação Lei Seca. A conversa nem tinha começado direito e eles ainda não sabiam como acabar. Terminou com ela deixando ele no meio do caminho.
- Aqui tá bom pra você? - ela perguntou com o dia amanhecendo.
Um ano depois ainda não sabia o significado do "É, né" que ouviu como resposta.
Ela tinha avisado que qualquer homem que se aproximasse seria ameaçado com aquela frase. A irmã a aconselhou a não contar para todo mundo suas intenções sórdidas. Como não estava a fim de se enrolar com ninguém mesmo, manteve a decisão e acabou levando um susto.
- Eu também.
O cidadão tinha mostrado que gostava de chocar quando ainda estavam na pizzaria e foi obrigado a passar a ficha completa para as duas amigas. Ela não queria se meter nem com conhecidos de conhecidos e pouco se meteu na conversa, mas gostou do estilo. Como o carro estava no estacionamento, resolveu voltar de taxi para casa. Mais alguns chopes e todas as convicções tinham ido embora. Menos a de casar e ter dois filhos.
A conversa rolou em outro canto da cidade. Um cabo de guerra de provocações. Até o fim da noite, um dos dois cairia.
- Você vai me mandar à merda - ela disse, imaginando uma maneira segura de terminar aquela noite. Estava mais preparada para um fora do que para qualquer coisa além de beijo na boca.
Como não tinha prestado atenção na ficha, começou tudo de novo.
- Não lembro nem o seu nome. Quantos anos você tem? Mora aonde? Já foi casado?
Ele apenas repetiu o nome e reclamou que estava perdendo o desenho favorito. Ela disse que poderiam ir embora, mas, na saída, avisou que voltaria para pegar o carro. Ele foi atrás. Já tinham ido da Barra para Ipanema e de lá para a Lapa. Voltaram para Ipanema, onde pegaram o carro na garagem do edifício comercial.
O caminho até a Zona Norte foi mais longo naquela noite. Precisavam evitar a operação Lei Seca. A conversa nem tinha começado direito e eles ainda não sabiam como acabar. Terminou com ela deixando ele no meio do caminho.
- Aqui tá bom pra você? - ela perguntou com o dia amanhecendo.
Um ano depois ainda não sabia o significado do "É, né" que ouviu como resposta.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Sobre sapatos e indigentes
Ajude a preservar Guapimirim. A frase, que não diz nada para uns ou pode parecer uma bandeira ambientalista para outros, era a única que ela conseguia construir. Ia e voltava. A cabeça dela a mil pensava em como procurar trabalho, no que gostaria de fazer.
Falar com os amigos, encontrar explicações confortáveis para o que tinha acontecido, ligar para pessoas que não procurava há muito tempo. Qual a melhor forma de pedir trabalho? Como conseguir um emprego? Ajude a preservar Guapimirim.
Tem que saber o que quer para conseguir, diziam. Ajude a preservar Guapimirim.
O jardim que precisava de uma faxina, a pintura que já estava indo embora, as janelas de madeira que não eram a melhor opção para o lugar úmido. Ajude a preservar Guapimirim.
Então, ela lembrou de ter pensando um dia que os sapatos a afastavam da indigência. Lembrou que isso foi em um dia de sol, quando passava pela Lagoa a caminho de uma reunião e viu aquele grupo de moradores de rua. Não se incomodaria de comer só carboidratos, engordar sem culpa, andar pelas ruas sem compromisso. Foi salva pelos sapatos.
Fez uma lista de contatos, atualizou o currículo e começou a ligar.
Falar com os amigos, encontrar explicações confortáveis para o que tinha acontecido, ligar para pessoas que não procurava há muito tempo. Qual a melhor forma de pedir trabalho? Como conseguir um emprego? Ajude a preservar Guapimirim.
Tem que saber o que quer para conseguir, diziam. Ajude a preservar Guapimirim.
O jardim que precisava de uma faxina, a pintura que já estava indo embora, as janelas de madeira que não eram a melhor opção para o lugar úmido. Ajude a preservar Guapimirim.
Então, ela lembrou de ter pensando um dia que os sapatos a afastavam da indigência. Lembrou que isso foi em um dia de sol, quando passava pela Lagoa a caminho de uma reunião e viu aquele grupo de moradores de rua. Não se incomodaria de comer só carboidratos, engordar sem culpa, andar pelas ruas sem compromisso. Foi salva pelos sapatos.
Fez uma lista de contatos, atualizou o currículo e começou a ligar.
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Presença de espírito
Foi na segunda-feira, quando começou a contar a história, que ela teve a idéia. E se tivesse dito que para subir pro apartamento custava R$ 100. Será que é pouco? Nessa faixa de preço, que tipo de profissional eles encontram por aí?
Era só olhar séria pra ele, dar um leve sorriso e passar a informação. Com objetividade e - por que não? – profissionalismo.
Ela já tinha ouvido a clássica brincadeira dos meninos: “Com profissional é mais barato. Não precisa levar ao cinema, sair pra jantar”. Nunca tinha pensando antes em inverter a mão da piada.
E o moço merecia. Tinham se conhecido na Matriz, passaram a semana de conversa no MSN. A diferença de idade era grande e não era a única diferença. Ela tinha 27 e ele 23. Talvez porque morasse em São Paulo, longe da praia, ou porque não quis ficar se curtindo enquanto rolava a faculdade de jornalismo, trabalhava desde os 18.
O moço virou gente grande um pouco depois. Fez vestibular, um curso aqui, outro ali e agora estava no mestrado. Dizia que não dava para trabalhar até terminar o mestrado. Pois é. Vida de estudante é dureza.
Naquela sexta-feira, ele desceu do ônibus na porta dela. Ela - de saltinho - seguiu. As amigas viviam dizendo que era exigente demais.
- Taxi?
- Não. Têm vários bares aqui perto – ele disse.
Foram andando. Sexta-feira a noite e todos os bares lotados. A pé, tentaram outros dois. Acabaram em um daqueles na orla de Copacabana. Coisa de profissional.
No bar, ela lembrava da amiga que se recusava a pedir qualquer coisa ao garçom quando estava acompanhada, o marido tinha transformado aquela regra ensinada pela sogra tijucana em piada entre os amigos. Mas o cara não tomava uma atitude. Ela fez os pedidos, ela puxou assunto, ela falou, ela decidiu a hora de ir embora. Na hora de pagar a conta, ela perguntou como ele queria fazer:
- Amigo, traz a maquina do Visa... Tira R$ 15, por favor.
Sobraram R$ 5 para ela pagar (a noite tinha sido assim-assim. Ninguém comeu. Pouco se bebeu).
- O senhor pode trocar R$ 50? – perguntou, sem coragem de encarar o garçom.
Foram andando até o prédio. Chegaram lá já completamente sem assunto. Na hora da despedida, o comentário:
- Pensei que eu fosse conhecer seu apartamento...
- Melhor você ir embora de taxi. Ônibus, essa hora, é perigoso.
Com sorte, ele ainda aproveitou a noite de graça. Ela preferiu entrar no elevador sem olhar para trás. Tinha comprado um cobertor novo.
Era só olhar séria pra ele, dar um leve sorriso e passar a informação. Com objetividade e - por que não? – profissionalismo.
Ela já tinha ouvido a clássica brincadeira dos meninos: “Com profissional é mais barato. Não precisa levar ao cinema, sair pra jantar”. Nunca tinha pensando antes em inverter a mão da piada.
E o moço merecia. Tinham se conhecido na Matriz, passaram a semana de conversa no MSN. A diferença de idade era grande e não era a única diferença. Ela tinha 27 e ele 23. Talvez porque morasse em São Paulo, longe da praia, ou porque não quis ficar se curtindo enquanto rolava a faculdade de jornalismo, trabalhava desde os 18.
O moço virou gente grande um pouco depois. Fez vestibular, um curso aqui, outro ali e agora estava no mestrado. Dizia que não dava para trabalhar até terminar o mestrado. Pois é. Vida de estudante é dureza.
Naquela sexta-feira, ele desceu do ônibus na porta dela. Ela - de saltinho - seguiu. As amigas viviam dizendo que era exigente demais.
- Taxi?
- Não. Têm vários bares aqui perto – ele disse.
Foram andando. Sexta-feira a noite e todos os bares lotados. A pé, tentaram outros dois. Acabaram em um daqueles na orla de Copacabana. Coisa de profissional.
No bar, ela lembrava da amiga que se recusava a pedir qualquer coisa ao garçom quando estava acompanhada, o marido tinha transformado aquela regra ensinada pela sogra tijucana em piada entre os amigos. Mas o cara não tomava uma atitude. Ela fez os pedidos, ela puxou assunto, ela falou, ela decidiu a hora de ir embora. Na hora de pagar a conta, ela perguntou como ele queria fazer:
- Amigo, traz a maquina do Visa... Tira R$ 15, por favor.
Sobraram R$ 5 para ela pagar (a noite tinha sido assim-assim. Ninguém comeu. Pouco se bebeu).
- O senhor pode trocar R$ 50? – perguntou, sem coragem de encarar o garçom.
Foram andando até o prédio. Chegaram lá já completamente sem assunto. Na hora da despedida, o comentário:
- Pensei que eu fosse conhecer seu apartamento...
- Melhor você ir embora de taxi. Ônibus, essa hora, é perigoso.
Com sorte, ele ainda aproveitou a noite de graça. Ela preferiu entrar no elevador sem olhar para trás. Tinha comprado um cobertor novo.
terça-feira, 28 de julho de 2009
No alto do Itobira

Parei, olhei e achei que não conseguiria. O que me apavorava mais não era a subida. Era a descida. O grupo já tinha andado umas duas horas e não estava nem no pé do morro que iria subir naquele dia. O ar já estava faltando. Não chegava ao pulmão. Parava antes, na garganta, no pavor e na ansiedade de quem não dá conta do presente porque já está sofrendo com o futuro.
Lembrei disso ontem. Aquele foi o momento mais marcante da viagem. Foram dez dias. Umas cinco cidades. Uma natureza muito diferente da que estamos acostumados. Mas o que ficou mesmo foi aquela sensação de ansiedade. Convivo com ela há 35 anos, mas nunca tinha sido tão assustadora.
Lembrei ontem que parei, chorei e continuei porque não estava sozinha.
Acho que tá faltando coragem. Tá na hora de parar de andar só por responsabilidade.
Lembrei disso ontem. Aquele foi o momento mais marcante da viagem. Foram dez dias. Umas cinco cidades. Uma natureza muito diferente da que estamos acostumados. Mas o que ficou mesmo foi aquela sensação de ansiedade. Convivo com ela há 35 anos, mas nunca tinha sido tão assustadora.
Lembrei ontem que parei, chorei e continuei porque não estava sozinha.
Acho que tá faltando coragem. Tá na hora de parar de andar só por responsabilidade.
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Aniversário
Amiga, faz um ano que eu peguei o skatista de 23 anos. É sobre isso que precisamos conversar. Talvez a solução esteja na Lapa. Como duvidar às quatro da madruga que ele ainda não tem nem 23 anos e que skatista é um neologismo para desocupado. Melhor acreditar e aproveitar.
Por que eu não pensei no skatista quando ele fez aquela pergunta? Estava sendo escroto, parecia que queria me foder, mas e daí. O papo estava bom. No final das contas quem decide se vai dar ou não sou eu.
Eu dei. Não para o skatista. Mas pra ele. Dei de presente quatro dias da minha vida e uma grande confusão. Me ferrei e foi sozinha.
Isso tudo é pra dizer que você tem razão. Tô levando isso tudo muito a sério. Por que me incomodar se ele não me deu a mão quando eu estava com a minha esticada? O skatista passou, eu decidi sozinha se ia comer ele ou não e ainda aproveitei a mão esticada pra passar nele.
Por que eu não pensei no skatista quando ele fez aquela pergunta? Estava sendo escroto, parecia que queria me foder, mas e daí. O papo estava bom. No final das contas quem decide se vai dar ou não sou eu.
Eu dei. Não para o skatista. Mas pra ele. Dei de presente quatro dias da minha vida e uma grande confusão. Me ferrei e foi sozinha.
Isso tudo é pra dizer que você tem razão. Tô levando isso tudo muito a sério. Por que me incomodar se ele não me deu a mão quando eu estava com a minha esticada? O skatista passou, eu decidi sozinha se ia comer ele ou não e ainda aproveitei a mão esticada pra passar nele.
terça-feira, 14 de julho de 2009
Sobre o meu umbigo
Você escreve ficção ou é só para exorcizar fantasmas? A pergunta era inocente e a resposta era óbvia, mas doeu. Eu, que sempre defendi a ficção, que morro de preguiça de ler biografias, ando escrevendo para exorcizar fantasmas, falando do meu próprio umbigo. Só não me senti mais medíocre porque tinha acabado de voltar da Flip e estava com um post pela metade sobre o tema que mais me atraiu na programação e que marcou presença em várias mesas: a confusão entre o público e o privado.
Não tenho nenhuma pretensão literária, mas me consola saber que na era dos blogs e twitters ainda tem gente que consegue transformar experiência pessoal em arte e boa literatura sem ser engolido pelo próprio umbigo. Claro que não dá para chamar o Doce Veneno do Escorpião, da Bruna Surfistinha, de literatura. (Esse eu li, confesso, e com interesses sórdidos) Mas quem é capaz de dizer que a ferroada que a francesa Sophie Calle deu no ex-namorado Gregoire Bouillier não é coisa de artista, daqueles mais excêntricos?
A moça diz que tem o hábito de tentar inverter as histórias para sair por cima e chama de "projeto" a iniciativa que fez com que 107 mulheres, de várias profissões diferentes, respondessem o e-mail em que o tal Greg terminava com ela. É claro que talento e criatividade são sempre excelentes armas, mas o melhor foi ouvi-la dizer que, a partir de um certo momento, o projeto já parecia muito mais importante do que a história de amor e ela teve medo que ele voltasse porque destruiria o projeto. Muito bom!
Agora, escrevendo esse post, fico pensando em quantas histórias novas só são possíveis porque outras já terminaram. E quantos projetos que começam como fuga, como uma forma de dar sentido, dar a volta por cima, não acabam se tornando mais importantes do que a motivação inicial.
Talvez o embate entre o público e o privado passe pela definição sobre o que está acabado ou não. Então, enquanto a artista Sophie desenvolve projetos, eu treino para contar histórias (e exorcizo fantasmas).
Não tenho nenhuma pretensão literária, mas me consola saber que na era dos blogs e twitters ainda tem gente que consegue transformar experiência pessoal em arte e boa literatura sem ser engolido pelo próprio umbigo. Claro que não dá para chamar o Doce Veneno do Escorpião, da Bruna Surfistinha, de literatura. (Esse eu li, confesso, e com interesses sórdidos) Mas quem é capaz de dizer que a ferroada que a francesa Sophie Calle deu no ex-namorado Gregoire Bouillier não é coisa de artista, daqueles mais excêntricos?
A moça diz que tem o hábito de tentar inverter as histórias para sair por cima e chama de "projeto" a iniciativa que fez com que 107 mulheres, de várias profissões diferentes, respondessem o e-mail em que o tal Greg terminava com ela. É claro que talento e criatividade são sempre excelentes armas, mas o melhor foi ouvi-la dizer que, a partir de um certo momento, o projeto já parecia muito mais importante do que a história de amor e ela teve medo que ele voltasse porque destruiria o projeto. Muito bom!
Agora, escrevendo esse post, fico pensando em quantas histórias novas só são possíveis porque outras já terminaram. E quantos projetos que começam como fuga, como uma forma de dar sentido, dar a volta por cima, não acabam se tornando mais importantes do que a motivação inicial.
Talvez o embate entre o público e o privado passe pela definição sobre o que está acabado ou não. Então, enquanto a artista Sophie desenvolve projetos, eu treino para contar histórias (e exorcizo fantasmas).
terça-feira, 30 de junho de 2009
Tempo, tempo
Já falei aqui sobre o meu medo de escrever e compartilhar o que escrevo. Insegurança, claro. Mas outra dúvida que sempre surgia nos três anos que levei para tomar coragem foi o Tempo.
Lido bem com o Tempo que passou. Cultivo minhas histórias e meu passado. Me sinto melhor hoje do que ontem (apesar dos 20 quilos a mais). Mas com o tempo do dia-a-dia, aquele em que deveria caber trabalho, filho, família, parentes, amigos, ginástica, lazer, leituras etc. sou um desastre.
Sou reconhecidamente uma péssima amiga, daquelas que avisa "não dá pra falar..." e desliga o telefone antes de completar "...agora". Meu filho, quando quer pedir alguma coisa, aciona a avó, o pai, a tia, o primo. A mãe, só em último caso (os mais difíceis e que tomam mais tempo, claro).
A situação é tão complicada que as pessoas que me conhecem se dividem entre as que entendem e não querem tomar o meu tempo e as que se ressentem da minha falta de tempo.
Nos dois casos, estão todos distantes a menos que eu me organize e dê um jeito de arrumar tempo. E aí aparece outro problema. Será que não estou sendo inoportuna? "Você pode falar agora?" É a minha primeira pergunta quando ligo para qualquer pessoa. Claro que, com um começo como esse, não há conversa que vá adiante.
Apesar disso tudo, não desisto. Continuo acreditando na tal história de que qualidade é mais importante do que tempo. Sei que isso é um blá-blá-bla, que muitas mães como eu usam essa desculpa para justificar o pouco tempo que têm com os filhos, mas acho que vou continuar apostando nisso.
Passei os últimos dias muito enrolada. Chegava no fim do dia muito cansada. Mas a verdade é que não escrevi nem uma linha porque não sabia o que escrever.
O que estava faltando não era tempo, mas saco para lidar com as situações do dia-a-dia. Os assuntos que passaram pela minha cabeça iam transformar isso aqui em um muro de lamentações.
Se resta um consolo, acho que posso dizer que, mesmo sem tempo, de longe, preservo as coisas que gosto (blogs e pessoas).
Ah! No meio da revisão, lembrei de um outro tema que surgiu, mas eu não consegui colocar no papel: Esse blog e a Reforma Ortográfica. Fica registrado para quando sobrar tempo.
Lido bem com o Tempo que passou. Cultivo minhas histórias e meu passado. Me sinto melhor hoje do que ontem (apesar dos 20 quilos a mais). Mas com o tempo do dia-a-dia, aquele em que deveria caber trabalho, filho, família, parentes, amigos, ginástica, lazer, leituras etc. sou um desastre.
Sou reconhecidamente uma péssima amiga, daquelas que avisa "não dá pra falar..." e desliga o telefone antes de completar "...agora". Meu filho, quando quer pedir alguma coisa, aciona a avó, o pai, a tia, o primo. A mãe, só em último caso (os mais difíceis e que tomam mais tempo, claro).
A situação é tão complicada que as pessoas que me conhecem se dividem entre as que entendem e não querem tomar o meu tempo e as que se ressentem da minha falta de tempo.
Nos dois casos, estão todos distantes a menos que eu me organize e dê um jeito de arrumar tempo. E aí aparece outro problema. Será que não estou sendo inoportuna? "Você pode falar agora?" É a minha primeira pergunta quando ligo para qualquer pessoa. Claro que, com um começo como esse, não há conversa que vá adiante.
Apesar disso tudo, não desisto. Continuo acreditando na tal história de que qualidade é mais importante do que tempo. Sei que isso é um blá-blá-bla, que muitas mães como eu usam essa desculpa para justificar o pouco tempo que têm com os filhos, mas acho que vou continuar apostando nisso.
Passei os últimos dias muito enrolada. Chegava no fim do dia muito cansada. Mas a verdade é que não escrevi nem uma linha porque não sabia o que escrever.
O que estava faltando não era tempo, mas saco para lidar com as situações do dia-a-dia. Os assuntos que passaram pela minha cabeça iam transformar isso aqui em um muro de lamentações.
Se resta um consolo, acho que posso dizer que, mesmo sem tempo, de longe, preservo as coisas que gosto (blogs e pessoas).
Ah! No meio da revisão, lembrei de um outro tema que surgiu, mas eu não consegui colocar no papel: Esse blog e a Reforma Ortográfica. Fica registrado para quando sobrar tempo.
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Como se tornar jornalista em 2009
Mesmo sendo jornalista e exercendo a profissão, nunca tive muita paciência para as discussões da classe. Mas essa decisão sobre o diploma de jornalismo me pegou em um momento bem sensível. Meu sobrinho decidiu fazer jornalismo e eu quase caí para trás.
Não que eu tenha nenhum tipo de arrependimento ou ache que a profissão vai acabar. Pelo contrário. Continuo acreditando no trabalho que me qualifiquei para fazer seja como repórter em um veículo de comunicação ou como assessora de comunicação (RP, para alguns) em uma agência ou empresa. O que questiono mesmo é a formação. Me formei há quase 15 anos e até hoje corro atrás do prejuízo.
Claro que muitas dessas falhas que tenho podem ser justificadas pelo excesso de autocrítica (citado em nove de cada dez entrevistas de emprego), pela minha história familiar e educacional antes da universidade e até pelas aulas que matei nos primeiros anos da faculdade. Mesmo assim, depois de alguns cursos na área de ciências sociais, de várias bibliografias lidas para provas de mestrado que nunca são feitas e de um MBA em gestão, confesso que adoraria ter 17 anos ou fôlego para encarar aos 35 uma nova graduação em ciências sociais, administração ou economia.
Alguns dos melhores jornalistas que conheço são economistas ou cientistas políticos. Talvez não fossem melhores economistas porque são jornalistas, mas com certeza são melhores jornalistas porque tiveram uma formação mais ampla e a chance de interagir com outros grupos. Afinal, com a informação disponível para todo mundo, é a formação e a capacidade de análise que diferencia os profissionais.
Se não é assim, por que nós, jornalistas, mais cedo ou mais tarde acabamos nos rendendo às pós-graduações que existem por aí? Não teria sido mais eficiente fazer o caminho inverso?
Não que eu tenha nenhum tipo de arrependimento ou ache que a profissão vai acabar. Pelo contrário. Continuo acreditando no trabalho que me qualifiquei para fazer seja como repórter em um veículo de comunicação ou como assessora de comunicação (RP, para alguns) em uma agência ou empresa. O que questiono mesmo é a formação. Me formei há quase 15 anos e até hoje corro atrás do prejuízo.
Claro que muitas dessas falhas que tenho podem ser justificadas pelo excesso de autocrítica (citado em nove de cada dez entrevistas de emprego), pela minha história familiar e educacional antes da universidade e até pelas aulas que matei nos primeiros anos da faculdade. Mesmo assim, depois de alguns cursos na área de ciências sociais, de várias bibliografias lidas para provas de mestrado que nunca são feitas e de um MBA em gestão, confesso que adoraria ter 17 anos ou fôlego para encarar aos 35 uma nova graduação em ciências sociais, administração ou economia.
Alguns dos melhores jornalistas que conheço são economistas ou cientistas políticos. Talvez não fossem melhores economistas porque são jornalistas, mas com certeza são melhores jornalistas porque tiveram uma formação mais ampla e a chance de interagir com outros grupos. Afinal, com a informação disponível para todo mundo, é a formação e a capacidade de análise que diferencia os profissionais.
Se não é assim, por que nós, jornalistas, mais cedo ou mais tarde acabamos nos rendendo às pós-graduações que existem por aí? Não teria sido mais eficiente fazer o caminho inverso?
quinta-feira, 18 de junho de 2009
A mais legal
E ela vem me dizer que eu não estou pronta para namorar. Quem disse isso? Quem perguntou alguma coisa? Tá certo que somos amigas há mais de 15 anos, que eu também dou muito palpite na vida dela (claro) e que, no fundo, acho que não estou mesmo com vontade de namorar (não a ponto de fazer nenhum esforço ou concessão). Mas o que me irritou mesmo foi saber que essa opinião não tem nada a ver com isso. O problema é que ela não gosta do cara, mas só chegou a essa conclusão quando teve certeza que ele é duro mesmo, mora mal mesmo e não há muita esperança de que isso vá mudar.
Isso é para ele ver como eu sou A MAIS LEGAL. Aturo essa pressão há quase um ano e só agora, e porque ele entrou numas de dar palpite na minha vida, desisti. Será que não dava pra me deixar ter medo de cachorro em paz? Pior que isso, só se ele tivesse dito que estou gorda.
Isso é para ele ver como eu sou A MAIS LEGAL. Aturo essa pressão há quase um ano e só agora, e porque ele entrou numas de dar palpite na minha vida, desisti. Será que não dava pra me deixar ter medo de cachorro em paz? Pior que isso, só se ele tivesse dito que estou gorda.
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Pra recomeçar
Faltou dizer
que eu gostei de você
que eu tentei entender
que eu não queria esquecer
Faltou ouvir
que eu ia partir
que eu não podia pedir
que eu queria omitir
Faltou gozar
quando eu tentava amar
quando eu me arriscava a pular
quando eu não queria encarar
O amor
A dor
O rancor
que eu gostei de você
que eu tentei entender
que eu não queria esquecer
Faltou ouvir
que eu ia partir
que eu não podia pedir
que eu queria omitir
Faltou gozar
quando eu tentava amar
quando eu me arriscava a pular
quando eu não queria encarar
O amor
A dor
O rancor
Pra começar
O segundo post desse blog - um poema - foi a primeira coisa sem lead que escrevi em muitos anos.
Como boa psicopata (louca para ser descoberta), não resisti e mandei para um amigo que acusou o crime: me respondeu sem cair na armadilha. Não julgou e me desafiou a colocar tudo para fora.
Taí. Continuo escondida. Mas já é um começo
Por que Não estou gorda? Por que esse e o primeiro julgamento a que qualquer mulher dos 8 aos 80 está sujeita e eu só estou aqui porque tá na hora de parar de me preocupar com todas essas bobagens.
Como boa psicopata (louca para ser descoberta), não resisti e mandei para um amigo que acusou o crime: me respondeu sem cair na armadilha. Não julgou e me desafiou a colocar tudo para fora.
Taí. Continuo escondida. Mas já é um começo
Por que Não estou gorda? Por que esse e o primeiro julgamento a que qualquer mulher dos 8 aos 80 está sujeita e eu só estou aqui porque tá na hora de parar de me preocupar com todas essas bobagens.
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