Estava a caminho do estacionamento quando viu o florista. Nunca tinha gostado de flores. Adorava jardins, tinha suas próprias ferramentas, mas sempre associara arranjos, buquês a velórios, morte. Desconfiava até das decorações de casamento.
Talvez por isso tenha estranhado o impulso. Aquela vontade de levar pra casa um arranjo daqueles. A constatação de beleza naquele carrinho com vários buquês apertados, arranjados.
Só se deu conta depois de passar a noite toda a espera de notícias.
Finalmente entendeu o significado das flores. Elas não servem apenas aos mortos. Servem aos vivos, ajudam a situá-los fora do caixão.
Deveria ter comprado. Estava de luto.