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terça-feira, 25 de agosto de 2009

Presença de espírito

Foi na segunda-feira, quando começou a contar a história, que ela teve a idéia. E se tivesse dito que para subir pro apartamento custava R$ 100. Será que é pouco? Nessa faixa de preço, que tipo de profissional eles encontram por aí?

Era só olhar séria pra ele, dar um leve sorriso e passar a informação. Com objetividade e - por que não? – profissionalismo.

Ela já tinha ouvido a clássica brincadeira dos meninos: “Com profissional é mais barato. Não precisa levar ao cinema, sair pra jantar”. Nunca tinha pensando antes em inverter a mão da piada.

E o moço merecia. Tinham se conhecido na Matriz, passaram a semana de conversa no MSN. A diferença de idade era grande e não era a única diferença. Ela tinha 27 e ele 23. Talvez porque morasse em São Paulo, longe da praia, ou porque não quis ficar se curtindo enquanto rolava a faculdade de jornalismo, trabalhava desde os 18.

O moço virou gente grande um pouco depois. Fez vestibular, um curso aqui, outro ali e agora estava no mestrado. Dizia que não dava para trabalhar até terminar o mestrado. Pois é. Vida de estudante é dureza.

Naquela sexta-feira, ele desceu do ônibus na porta dela. Ela - de saltinho - seguiu. As amigas viviam dizendo que era exigente demais.

- Taxi?
- Não. Têm vários bares aqui perto – ele disse.

Foram andando. Sexta-feira a noite e todos os bares lotados. A pé, tentaram outros dois. Acabaram em um daqueles na orla de Copacabana. Coisa de profissional.

No bar, ela lembrava da amiga que se recusava a pedir qualquer coisa ao garçom quando estava acompanhada, o marido tinha transformado aquela regra ensinada pela sogra tijucana em piada entre os amigos. Mas o cara não tomava uma atitude. Ela fez os pedidos, ela puxou assunto, ela falou, ela decidiu a hora de ir embora. Na hora de pagar a conta, ela perguntou como ele queria fazer:

- Amigo, traz a maquina do Visa... Tira R$ 15, por favor.

Sobraram R$ 5 para ela pagar (a noite tinha sido assim-assim. Ninguém comeu. Pouco se bebeu).

- O senhor pode trocar R$ 50? – perguntou, sem coragem de encarar o garçom.

Foram andando até o prédio. Chegaram lá já completamente sem assunto. Na hora da despedida, o comentário:

- Pensei que eu fosse conhecer seu apartamento...
- Melhor você ir embora de taxi. Ônibus, essa hora, é perigoso.


Com sorte, ele ainda aproveitou a noite de graça. Ela preferiu entrar no elevador sem olhar para trás. Tinha comprado um cobertor novo.

2 comentários:

  1. HAHAHA. Tadinho... Isso não é "guerra dos sexos", é conflito de gerações. Qualquer mané - mais novo, mais duro e mais inexperiente - já fez esse papelão. Se duvidar, o mané aqui é capaz, ainda, de passar bem perto disto.

    Bjs do primo campeão de manezisse.

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  2. Só se é jovem uma vez. Duro a gente pode ser sempre. Devia ter aproveitado. rsrsrsrs... Mas o que pegou foi a falta de assunto.

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