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segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Sobre sapatos e indigentes

Ajude a preservar Guapimirim. A frase, que não diz nada para uns ou pode parecer uma bandeira ambientalista para outros, era a única que ela conseguia construir. Ia e voltava. A cabeça dela a mil pensava em como procurar trabalho, no que gostaria de fazer.

Falar com os amigos, encontrar explicações confortáveis para o que tinha acontecido, ligar para pessoas que não procurava há muito tempo. Qual a melhor forma de pedir trabalho? Como conseguir um emprego? Ajude a preservar Guapimirim.


Tem que saber o que quer para conseguir, diziam. Ajude a preservar Guapimirim.

O jardim que precisava de uma faxina, a pintura que já estava indo embora, as janelas de madeira que não eram a melhor opção para o lugar úmido. Ajude a preservar Guapimirim.


Então, ela lembrou de ter pensando um dia que os sapatos a afastavam da indigência. Lembrou que isso foi em um dia de sol, quando passava pela Lagoa a caminho de uma reunião e viu aquele grupo de moradores de rua. Não se incomodaria de comer só carboidratos, engordar sem culpa, andar pelas ruas sem compromisso. Foi salva pelos sapatos.


Fez uma lista de contatos, atualizou o currículo e começou a ligar.

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