Pesquisar este blog

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Na madrugada

Era só o que faltava. O dia quase amanhecendo, tinha rodado a noite toda e foi pegar aquela mulher logo na hora de ir pra casa. Ganhou de brinde aquele playboy da Zona Sul na cola. Foi só saírem da frente do bar chique, em frente a praia de Ipanema, que o mané começou. A cada sinal era um grito.

- Marcela, eu te amo.

O cara devia ser cliente da cooperativa (e dos bons). O outro motorista de praça podia até não estar gostando da brincadeira, mas entrou na palhaçada. Vinha emparelhado, tinha risco até de acidente.

- Marcela, casa comigo?

Viu quando a tal Marcela chegou. A moça nem entrou no bar. Pegou o telefone, ligou pra alguém. Ficou esperando o mané na porta. Não conversaram nem 15 minutos e ela fez sinal. Parecia bem. Pelo jeito, os dois não tinham brigado. Pelo retrovisor, dava pra ver que ela estava rindo.

- Você é linda.

"Vê lá?! Agora, mulher vai pra bar atrás de homem no meio da madrugada.Toda noite é isso", pensou.

Lembrou da mulher e da filha. Tinham ido no rodízio de pizza na noite de sexta. Convite do namorado da filha que não é lá grandes coisas, mas sempre que recebe o tíquete faz um agrado. Quando chegasse em casa, capaz das duas já estarem acordadas. Sábado de manhã é dia de lavar o quintal.

O colega emparelhou e o playboy gritou de novo.

- Vem comigo?!

Viraram a esquina. Graças a Deus.

A moça continuava rindo. Devia gostar de conversar. Puxou conversa.

- Esses playboys da Zona Sul não tem jeito. Vê lá se isso é jeito de tratar mulher.

Ela riu. Ele continuou.

- No meu tempo, a gente sabia como conquistar as mulheres. Não fazia essas coisas. Tinha que ser mais sério.

Ela respondeu:

- Pois é, moço. O senhor pode virar naquela esquina, por favor.

- Agora mulher também não podia ter muita frescura não. Uma vez teve uma que veio cheia de nhenhenhém pra cima de mim. Era filha de coronel. Bem de vida. Eu podia ter me dado bem.

- É mesmo? É no próximo prédio, aquele de grade marrom.

- Um dia eu cheguei na casa dela pra namorar, tinha trabalhado o dia inteiro. A primeira coisa que ela disse foi "Diga algo que deleite?". Não pensei duas vezes. Respondi: "Vaca". Virei as costas e fui embora.

- Tá aqui, 18 reais. Pode ficar com o troco.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seja gentil. Me ajude a quebrar a indústria de antidepressivos.