- Quero casar e ter dois filhos.
Ela tinha avisado que qualquer homem que se aproximasse seria ameaçado com aquela frase. A irmã a aconselhou a não contar para todo mundo suas intenções sórdidas. Como não estava a fim de se enrolar com ninguém mesmo, manteve a decisão e acabou levando um susto.
- Eu também.
O cidadão tinha mostrado que gostava de chocar quando ainda estavam na pizzaria e foi obrigado a passar a ficha completa para as duas amigas. Ela não queria se meter nem com conhecidos de conhecidos e pouco se meteu na conversa, mas gostou do estilo. Como o carro estava no estacionamento, resolveu voltar de taxi para casa. Mais alguns chopes e todas as convicções tinham ido embora. Menos a de casar e ter dois filhos.
A conversa rolou em outro canto da cidade. Um cabo de guerra de provocações. Até o fim da noite, um dos dois cairia.
- Você vai me mandar à merda - ela disse, imaginando uma maneira segura de terminar aquela noite. Estava mais preparada para um fora do que para qualquer coisa além de beijo na boca.
Como não tinha prestado atenção na ficha, começou tudo de novo.
- Não lembro nem o seu nome. Quantos anos você tem? Mora aonde? Já foi casado?
Ele apenas repetiu o nome e reclamou que estava perdendo o desenho favorito. Ela disse que poderiam ir embora, mas, na saída, avisou que voltaria para pegar o carro. Ele foi atrás. Já tinham ido da Barra para Ipanema e de lá para a Lapa. Voltaram para Ipanema, onde pegaram o carro na garagem do edifício comercial.
O caminho até a Zona Norte foi mais longo naquela noite. Precisavam evitar a operação Lei Seca. A conversa nem tinha começado direito e eles ainda não sabiam como acabar. Terminou com ela deixando ele no meio do caminho.
- Aqui tá bom pra você? - ela perguntou com o dia amanhecendo.
Um ano depois ainda não sabia o significado do "É, né" que ouviu como resposta.
O significado do "é, né?" me parece bastante óbvio. Como vc disse em um post anterior, poderiar ter aproveitado a mão esticada. Mas deixou ela no ar. (hehehe)
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